Bolsonaro continua agravando crise com declarações incoerentes, sem o apoio dos militares da ativa baixa o tom e agora fala em justiça


Matéria de O Estadão revela que o presidente agora fala em ação judicial, oposição fala que suas declarações são novas ameaças veladas. O fato é que as investigações avançam e pessoas que há tempos vem cometendo crimes contra a Constituição e a Democracia vem sendo presas.

Os 3 poderes andam em conflito por culpa do próprio Presidente que nunca desceu do palanque e coloca todos que não concordam com suas atitudes como opositores e traidores do Brasil, ele se esquece que Democracia é conviver pacificamente com o contraditório e o debate deve ser no campo das ideais, mas o contrário disso Bolsonaro tem agido ao longo de seu mandato como um menino mimado que esperneia sempre que é contrariado, enquanto era esperneio todos o ignoravam, como se ignora um louco inconsequente, mas a partir do momento que nos bastidores ele e seus aliados passaram a incitar o ódio, a intolerância e práticas que afrontam a Constituição obrigou os demais poderes a agirem e chegamos na tual situação, talvez a crise institucional mais grave de nossa história desde a Ditadura Militar, o que Bolsonaro não esperava é que a população o criticasse por suas atitudes, mesmo até os seus eleitores e que apenas pequenos grupos de radicais de ultra-direita o apoiassem, e que não possuem representatividade popular. Os robôs tem trabalhado como nunca nas redes sociais e nos grupos de whatsapp, mas não surtem mais o efeito de antes pois é quase unânime que o presidente não governa e cria todos os seus problemas, talvez inclusive por não saber como governar, vive no eterno debate ideológico para se tirar a atenção da grave crise econômica e social que estamos vivendo. O Brasil vai de mal a pior, Bolsonaro ataca as instituições democráticas, seus líderes radicais vem sendo presos e outros se revoltando e se tornando ainda mais agressivos, resta saber se as instituições de Direito, se os vigilantes da Constituição irão dar um basta no "Rei Louco" ou se permitirão chegarmos a uma guerra civil neste país. Resta aguardar, esperar que Câmara e Congresso tenham coragem de tomar uma atitude e aplaudir e apoiar o STF por não se submeter aos desmandos do presidente e a quadrilha que o apoia e espalha fakenews em todo país.

BRASÍLIA - Após afirmar ontem que tomará "medidas legais" para proteger a Constituição, o presidente Jair Bolsonaro voltou a dizer nesta quarta-feira, 17, que considera ter havido "abusos" na ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) para quebrar o sigilo bancário de dez deputados e um senador aliado ao seu governo. Em seguida, afirmou que "está chegando a hora de colocar tudo em seu devido lugar", sem explicar ao que se referia.

Ao conversar com apoiadores no Palácio da Alvorada, Bolsonaro afirmou que está "fazendo o que deve ser feito" e que "não será o primeiro a chutar o pau da barraca", em resposta a uma mulher que o pediu ajuda para reagir às investigações no STF que apuram o financiamento de atos antidemocráticos e ataques a ministros da Corte. 

"Tem gente que nasceu 40 anos depois do que eu e quer dizer como eu devo governar o Brasil. Estou fazendo exatamente o que tem que ser feito. Eu não vou ser o primeiro a chutar o pau da barraca. Eles estão abusando, isso está a olhos vistos. O ocorrido no dia de ontem, quebrar sigilo de parlamentar, não tem história vista numa democracia por mais frágil que seja. Está chegando a hora de colocar tudo em seu devido lugar", disse.

Bolsonaro afirmou ainda que todos, sem exceção, devem entender o que é democracia.

"Não devo nada a ninguém do que estou fazendo. Está chegado a hora de acertarmos o Brasil no rumo da prosperidade e todos entenderem o que é democracia. Democracia não é o que eu quero, nem você, nem o que um poder quer, o que outro poder quer. Está chegando a hora, fique tranquila", declarou.

Embora não tenha citado diretamente a quem se referia, Bolsonaro tem feito declarações com ameaças a outros poderes por entender que há uma tentativa de fragilizá-lo, com decisões do Supremo e do Congresso que, na sua visão, invadem as atribuições do Executivo. Ele chegou a afirmar, há algumas semanas, que poderia não cumprir ordens judiciais.

— Gabs (@oprimogabs) June 17, 2020

A declaração de Bolsonaro nesta quarta aconteceu após o relato de uma apoiadora."Três amigos nossos foram presos ontem sem fazer nada, não temos um estilingue para se defender. Não pedimos intervenção", disse a mulher ao presidente. Em resposta, Bolsonaro disse que o "estilingue" é uma ação, mas não pensamentos e palavras. "Terrorismo não é o que alguns estão achando por aí. Terrorismo é meter carro bomba em guarita do Exército", disse o presidente.

Na quarta, o presidente só se pronunciou sobre as ações autorizadas pelo STF à noite. Após pressão de apoiadores, ele foi ao Twitter e falou em "abusos" e disse que tomará todas as medidas legais para proteger a Constituição porque não pode “fingir naturalidade" diante do que está acontecendo. 

“Luto para fazer a minha parte, mas não posso assistir calado enquanto direitos são violados e ideias são perseguidas”, escreveu o presidente nas redes sociais. “Por isso, tomarei todas as medidas legais possíveis para proteger a Constituição e a liberdade dos brasileiros”.

O presidente havia orientado pessoas próximas a evitar manifestações públicas sobre a Operação Lume da Polícia Federal. Antes das postagens, auxiliares de Bolsonaro diziam que o seu silêncio era um inequívoco sinal de que o governo estava disposto a baixar a temperatura da crise. A trégua envolveria até mesmo a demissão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que chamou ministros do Supremo de "vagabundos" em duas ocasiões